4.11.06

Assim, assim

(Vitor Ramil, carta antiga, presente, amizade)

Sinceramente, não vou ficar
Passando a limpo o meu coração
Roendo as unhas, pensando
em voz alta. Botando os pingos nos "is"
Falando sério, eu já cansei
de revirar o meu coração
De vasculhar as gavetas
do armário embutido
da nossa paixão

Beijos, estou de partida
Vou reinventar minha vida
Vida! Eu preciso viver
Hey, amiga,
Pra que disfarçar
nossa solidão?

Se continuasse assim, assim
um dia a gente ia terminar
saindo pela tangente ou
desidratado de tanto chorar
Na certa ainda vais remexer
nisso ou naquilo até concordar
que o nosso erro foi não conjugar
aos limites, o verbo amar.

Registra a minha partida
no arquivo da tua vida
Vida! Eu preciso viver
Hey, amiga,
Pra que disfarçar
nossa solidão?

27.10.06

Ao Resgate

Pode ser com uma música. Pode ser com um sorriso. Pode ser com uma flor. Pode ser com uma letra. Pode ser com uma foto. Pode ser com uma gargalhada. Pode ser com doce. Pode ser com um abraço. Pode ser com um telefonema...

Vale ouvir © : Aimee Mann - "Save me"

26.10.06

Realejando

E lá eu deixei a menina racional. Em baixo do vão, debaixo de arte, no tapete vermelho da cidade. O papelzinho do realejo na mão, o espanto estampado na cara. Agora a vida tinha um roteiro, escrito sabe-se lá por quem e entregue às mãos da atriz principal pelo bico de um papagaio velhinho, que demorou a escolher um bilhetinho bem amassadinho e amarelinho no meio de outros tantos verdes, azuis e vermelhos. De todos os desenganos restava sempre a esperança com verniz de certeza de que o futuro era aquele mesmo e que mais cedo ou mais tarde o papagaio provaria saber mais da minha vida do que eu mesma. Só que agora o futuro já está passado e nem há mais a chance de voltar e pegar o bichinho de jeito.

24.9.06

Live

Lightning Crashes

(Assisti umas duas vezes quando foi lançado na MTV e nunca mais. Mas nunca me esqueci das imagens e sempre amei a música, desde a primeira vez que ouvi...)

4.9.06

De ponta a pé

Conheci a estrada antes de conhecer o Jack e o Neal, pelo que foi a minha versão "on the road". É estranho ser influenciada por um livro que você só vai ler muitos anos depois. Hoje eu joão-e-mariamente cato migalhas e pontas soltas e com elas traço um caminho de memórias que me põe de volta no começo da fita e renovo assim o sabor das primeiras experiências. O que já me frustrou como ignorância hoje é saboreado como inocência. Melhor sentir do que saber o gosto na boca.


Desenho original do Jack Kerouac pro On The Road
(Tem muito mais nesse link genial aqui)

Absent lovers...
Ins-piração pura: Neal and Jack and Me (ouça!)

1.9.06

Sylvia da Silvia

"Canção da Manhã


O amor te põe pra funcionar, relógio de ouro puro.

A parteira surra suas nádegas, e seu grito nu

Se aninha entre os elementos.

Nossas vozes ecoam, louvando sua vinda. Estátua nova.

Num museu arejado, sua nudez

Ameaça nossa segurança. Ficamos rodeando, brancos como paredes.

Não sou mais sua mãe

Do que a nuvem que desfaz o espelho que a reflete,

Rabisco lento na mão do vento.

De noite sua respiração corrosiva

Vacila entre rosas lisas. Acordo para ouvir:

Longe, um mar movendo em meus ouvidos.

Um grito, e escorrego da cama, vaca obesa e floral

Em minha camisola vitoriana,

Sua boca se abre, limpa como a de um gato. A vidraça

Empalidece e suga estrelas sujas. E agora você confere

Suas anotações;

Vogais claras sobem feito balões."


Sylvia Plath, no "Sylvia Plath Poemas", Iluminuras, com tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça, cortesia da colega Silvia Paula.

15.8.06

Dia do Pai... e do irmão

E em homenagem aos dois, que amam a PRK-30 , e também pra você, mami, tá aqui o fado da Maria Joaquina, aquele que o vô cantava de memória.

E agora, atenção, mais uma cantora cebrele! Ao microfônio da sua PRK-30, a grande fadista Maria Joaquina Dobradiça da Porta Baixa, cantando o fado de sua teoria, intritulado “Ficou Maluca”:

“Fui ao círculo de cabalinhos / Ber os palhaços a trabalhare / Mas o que bi... foi do trapézio / A trapezista se despencare / Beio lá de cima... como um foguete / Bateu com as fuças no picadeiro / Sua mãezinha... ali presente / Gritou nervosa... lá no puleiro / ‘Machucaste-te... oh, minha filha / Eu sempre disse... e com razão / Nunca tibeste... desde menina / A menor queda... para abião.’ / E a pobre artista... aí... desacordada / Oubia tudo... sem dizer nada / Mas... de repente... boltou a si / Pediu licença e foi fazer / Crochê... Ficou maluca!...”

6.8.06

Amamentação

A Semana da Amamentação está chegando ao fim e depois de ler em silêncio muitos depoimentos emocionantes e passar a semana recordando cenas e refazendo conexões que me fizeram viajar no tempo e reviver pensamentos e sensações, resolvi escrever a respeito.

Não consigo me lembrar de um tempo em que eu não achasse óbvio e natural que mães amamentassem seus bebês, apesar da velha mamadeira de vidro com a marca Ninho ter durado tanto tempo na prateleira da casa materna. Talvez essa certeza se deva à memória do nascimento da mAninha, das vezes em que assisti cenas da nossa mãe tirando leite com a bombinha antes de sair para os plantões noturnos. Se ela se esforçava tanto, mesmo tendo que sair para trabalhar, é porque era muito importante para minha irmãzinha tomar seu leite.

Quando engravidei pela primeira vez, tive uma conselheira muito importante: a mãe do meu marido (que não gostaria que eu escrevesse sogra aqui), que amamentou os dois filhos por mais de dois anos e que foi a mais jovem vítima de câncer de mama que eu já conheci, aos vinte e quatro anos. Minha gravidez e os primeiros meses da amamentação foram acompanhados de perto por ela, que depois de vinte anos, sucumbiu ao mesmo mal. Seu legado foi este: meses de conversas e confidências, conselhos valorosos e muitas dicas que me ajudaram a ter a confiança que eu precisava para amamentar minha filha com tranqüilidade. Em tempos em que todas as amigas estavam vivendo uma realidade oposta, e com raros bebês próximos, até mesmo na família, ela foi a fonte de experiência e de carinho onde eu matei a minha sede.

E se eu dissesse que foi fácil, mesmo com toda essa assistência, eu estaria renegando o começo, a adaptação, o bico do seio direito rachado e que vazava toda vez que a pequena mamava no esquerdo, os copos que eu colocava embaixo pra não perder uma gota, as primeiras noites em claro e a exaustão da entrega à livre demanda.

Ter insistido me fez mais autoconfiante, me fez acreditar que os momentos de sintonia e de carinho com minha filha fizeram todas as dificuldades menores e alicerces da nossa boa relação de hoje. Seus olhares ternos, suas mãozinhas acariciando meu peito e se enroscando em meus cabelos são sensações arquivadas no coração como as melhores que já conheci na vida.

Surpreendemente para mim, foi descobrir que com o segundo e com a terceira filha a fórmula não estava escrita. Foram três experiências distintas e muito enriquecedoras, cada uma com suas dificuldades e seus prazeres.

Da experiência com o segundo filho, aprendi o valor do apoio e encorajamento às mulheres logo após o parto, ensinando como é a pega correta e que cada bebê tem seu “estilo” de mamar, e da terceira, graças à existência da internet e de pessoas como a Denise, a Mirka, a Ingrid, as Motherns e tantas outras, como é importante conhecer outras mães e outras realidades.

Ao ler tantos depoimentos e toda a informação sobre amamentação que circula na rede, me encho de esperança de que, sendo compartilhada não só aqui, mas fora, contribua para que o mundo seja mais bem alimentado. Principalmente com amor e tolerância.

16.7.06

Tum Pof Soc

Passei do ponto. O que antes me encantava anda me cansando. Não quero mais sincronicidade nem link com ninguém. Cansei. Não queria ter encontrado o roteiro do Homem que Copiava justo hoje. Não tô bem. E hoje é meu aniversário de mãe. Tá, isso explica alguma coisa. Ótimo... vou ali passar no moedor de carne dessa semana.